05/08/17

Ainda em Edimburgo

Queria publicar aqui as fotografias que tirei na Escócia em Abril, mas não conseguia escrever algo que as acompanhasse. Sou péssima em escrita de viagem, faltam-me o vocabulário e as ferramentas para transmitir exactamente o sentimento de cada lugar, os detalhes em que reparo e que me ajudam a compor uma imagem da cidade.

Mas tento registar as minhas viagens, em fotografias e em papel, para minha memória futura. As lembranças são muito frágeis e gosto de escrever um diário em viagem para ler mais tarde e lembrar-me do que comi, vi ou fiz, de pequenas histórias, do que dissemos ou sentimos. Scones e scotch, uma hora em cada livraria e referências a Harry Potter numa cidade cheia delas compõem memórias só nossas e não são interessantes para mais ninguém.

À falta de dicas e ideias, deixo fotografias que me fazem lembrar aqueles dias na Escócia. Voltaria agora mesmo.



Até a fonte parece a de Diagon Alley.







No words required.














30/04/17

Oh, Edinburgh!

Os jardins de Princes Street: o nosso primeiro (e último) passeio na Escócia.

Comemos bolachas na Ben's Cookies, passei horas na Waterstones a namorar livros que não se encontram por cá, fotografei o Balmoral Hotel de todos os ângulos possíveis (para quem não sabe, foi onde a JK Rowling acabou de escrever o último livro da saga Harry Potter) e absorvemos os raios de sol desta Primavera com que a Escócia nos surpreendeu.


























19/02/17

08/01/17

66 em 2016

Nunca li tanto como em 2016. Nunca tive um ritmo tão consistente, nunca tinha lido tantos autores portugueses e tantos géneros diferentes. A verdade é que nunca tinha tido tanto tempo livre como em 2016 e provavelmente, nunca voltarei a ter. Por isso, aproveitei e li tudo quanto pude. Li 66 livros entre ficção literária, romance, ensaio, biografia, teatro, poesia, literatura infantojuvenil e livros que são obras de arte.

Isto pode parecer obsessivo para quem não lê, mas um dos poucos objectivos que estabeleço no início de cada ano é o número de livros que quero ler. Geralmente, consigo atingi-lo. Não é uma competição, não me comparo com outros amigos que lêem mais que eu. Ler competitivamente tiraria todo o encanto à coisa. Um objectivo é só um estímulo para ler mais, para variar e para manter o ritmo. Já me mentalizei que será impossível ler todos os livros que quero ler, é uma lista interminável com qual todos os leitores têm de lidar. Eu fiz as pazes com a minha lista, revisito-a de vez em quando, mas sei que uma vida inteira não chegará para ela. Por cada livro que leio, acrescento-lhe dois ou três. Oh well...

Não tenho autoridade alguma no assunto e provavelmente, isto não terá interesse para ninguém, mas estas foram algumas das minhas melhores leituras de 2016, por ordem cronológica. Das piores, ninguém quer saber.

Leaves of Grass, Walt Whitman
Contém o mundo inteiro, as estrelas e os buracos negros. É um clássico. É perfeito.

Uma História da Leitura, Alberto Manguel
O que posso dizer sobre este livro? É tão, tão bom.
São pequenas histórias dentro da História, que não é uma mera sequência cronológica ditada pela estatística. A História da leitura é a história dos seus leitores e encontramos nestas páginas pequenas anedotas protagonizadas por pensadores e escritores que, antes de o serem, eram leitores.
Gostei tanto que acabei por ler outros dois livros seus: Uma História da Curiosidade e A Biblioteca à Noite. Demorei o mais possível em cada um; não pedem que nos apressemos, mas que paremos e nos encantemos com a beleza do mundo dos livros. São pequenas pérolas.

A minha família e outros animais, Gerard Durrell
Um dos meus livros preferidos, já o li três vezes. A cada leitura, tive uma reacção diferente. Os livros que lemos na infância marcam-nos. Ao reler A minha família e outros animais, confirmei em mim essa tendência. Já não me lembrava de quase nada, mas tudo me era familiar. Espectáculos de pirilampos, lutas de louva-a-deus, nascimento de tartarugas e sestas debaixo de oliveiras devem ter sido a origem do meu fascínio pela Grécia. É um livro para quem mantém o seu lado infantil, para quem continua a ser uma criança apesar de o bilhete de identidade dar uma noção diferente.

Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas, Ricardo Adolfo e O Retorno, Dulce Maria Cardoso
Um retrata uma família de imigrantes ilegais portugueses em Inglaterra e o outro descreve o regresso de uma família portuguesa à metrópole, vindos de Angola, aquando da descolonização. Adorei-os pelas mesmas razões: a credibilidade das personagens e dos diálogos, a representação perfeita da época e do lugar que descrevem e dessa coisa que é a saudade.

Nem todas as baleias voam, Afonso Cruz
Cada livro seu é uma teia na qual o mal, o bem, a beleza, a ternura, a indiferença são do domínio do humano. Até agora, o meu preferido do autor.

Harry Potter e a Pedra Filosofal (versão ilustrada), J.K.Rowling e Jim Kay
A história é a que conhecemos, os amigos são os de sempre. Só o invólucro é novo e realmente delicioso.

O objectivo para 2017 são 44 livros, um a cada 8 dias, mais ou menos. Mais alguém se sente entusiasmado?

06/01/17

29/12/16

Jólabókaflóð [e outras tradições]


Na Islândia, há uma tradição natalícia que eu não me importaria nada de trazer aqui para o burgo. Os habitantes daquele território gelado oferecem livros uns aos outros e passam a noite de 24 de Dezembro a ler. De facto, a maioria dos livros são publicados e vendidos a tempo do Natal. Parece-me maravilhoso.

Por cá, não foi bem à islandesa, mas ofereci um livro, recebi outro e ainda um vale para usar numa livraria. O livro que me veio parar às mãos é Fantastic Beasts and Where to Find Them, o guião do filme homónimo, e é uma pequena pérola. Já vi o filme, sabia como acabava, mas ainda assim devorei o livro, ansiosa pelo fim, por respostas e pormenores que me tivessem escapado. Para ajudar à febre, vi outra vez Harry Potter e a Pedra Filosofal e recebi um lindo, lindo cachecol Ravenclaw que uso orgulhosamente, só para elucidar os Muggles.

A very Potter Christmas.

As tradições têm de ser flexíveis, para encaixar quem chegou agora e quem tem de se desdobrar por várias celebrações. Começámos o Natal com um almoço a 24, no qual abrimos as prendas (muito cedo, eu sei!), e acabámos com um jantar a 25. A Mãe não fez sonhos nem molotoff e eu pus-me fazer bolachas de manteiga, ligeiramente quebradiças. Depois de 4 horas na cozinha a amassar e cortar bolachinhas, acho que dei cabo do meu espírito natalício para os próximos anos, mas as bolachas ficaram deliciosas.

Vimos O Amor Acontece, recebemos chocolates e estivemos juntos. Há coisas que não mudam. 

21/12/16