Nunca li tanto como em 2016. Nunca tive um ritmo tão consistente, nunca tinha lido tantos autores portugueses e tantos géneros diferentes. A verdade é que nunca tinha tido tanto tempo livre como em 2016 e provavelmente, nunca voltarei a ter. Por isso, aproveitei e li tudo quanto pude. Li 66 livros entre ficção literária, romance, ensaio, biografia, teatro, poesia, literatura infantojuvenil e livros que são obras de arte.
Isto pode parecer obsessivo para quem não lê, mas um dos poucos objectivos que estabeleço no início de cada ano é o número de livros que quero ler. Geralmente, consigo atingi-lo. Não é uma competição, não me comparo com outros amigos que lêem mais que eu. Ler competitivamente tiraria todo o encanto à coisa. Um objectivo é só um estímulo para ler mais, para variar e para manter o ritmo. Já me mentalizei que será impossível ler todos os livros que quero ler, é uma lista interminável com qual todos os leitores têm de lidar. Eu fiz as pazes com a minha lista, revisito-a de vez em quando, mas sei que uma vida inteira não chegará para ela. Por cada livro que leio, acrescento-lhe dois ou três. Oh well...
Não tenho autoridade alguma no assunto e provavelmente, isto não terá interesse para ninguém, mas estas foram algumas das minhas melhores leituras de 2016, por ordem cronológica. Das piores, ninguém quer saber.
Leaves of Grass, Walt Whitman
Contém o mundo inteiro, as estrelas e os buracos negros. É um clássico. É perfeito.
Uma História da Leitura, Alberto Manguel
O que posso dizer sobre este livro? É tão, tão bom.
São pequenas histórias dentro da História, que não é uma mera sequência cronológica ditada pela estatística. A História da leitura é a história dos seus leitores e encontramos nestas páginas pequenas anedotas protagonizadas por pensadores e escritores que, antes de o serem, eram leitores.
Gostei tanto que acabei por ler outros dois livros seus:
Uma História da Curiosidade e
A Biblioteca à Noite. Demorei o mais possível em cada um; não pedem que nos apressemos, mas que paremos e nos encantemos com a beleza do mundo dos livros. São pequenas pérolas.
A minha família e outros animais, Gerard Durrell
Um dos meus livros preferidos, já o li três vezes. A cada leitura, tive uma reacção diferente. Os livros que lemos na infância marcam-nos. Ao reler
A minha família e outros animais, confirmei em mim essa tendência. Já não me lembrava de quase nada, mas tudo me era familiar. Espectáculos de pirilampos, lutas de louva-a-deus, nascimento de tartarugas e sestas debaixo de oliveiras devem ter sido a origem do meu fascínio pela Grécia. É
um livro para quem mantém o seu lado infantil, para quem continua a ser uma criança apesar de o bilhete de identidade dar uma noção diferente.
Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas, Ricardo Adolfo e
O Retorno, Dulce Maria Cardoso
Um retrata uma família de imigrantes ilegais portugueses em Inglaterra e o outro descreve o regresso de uma família portuguesa à metrópole, vindos de Angola, aquando da descolonização. Adorei-os pelas mesmas razões: a credibilidade das personagens e dos diálogos, a representação perfeita da época e do lugar que descrevem e dessa coisa que é a saudade.
Nem todas as baleias voam, Afonso Cruz
Cada livro seu é uma teia na qual o mal, o bem, a beleza, a ternura, a indiferença são do domínio do humano. Até agora, o meu preferido do autor.
Harry Potter e a Pedra Filosofal (versão ilustrada), J.K.Rowling e Jim Kay
A história é a que conhecemos, os amigos são os de sempre. Só o invólucro é novo e realmente delicioso.
O objectivo para 2017 são 44 livros, um a cada 8 dias, mais ou menos. Mais alguém se sente entusiasmado?