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| (imagem retirada do Goodreads) |
Quando tinha 12 anos, queria fazer voluntariado em África e ser secretária-geral da ONU. Tinha a cabeça cheia de sonhos e estava cheia de vontade de mudar o mundo. Revoltava-me com as injustiças para as quais começava a abrir os olhos e queria fazer algo para mudar o que via, queria que o meu caminho fosse significativo. Ao crescer, todos esses projectos se foram desvanecendo e substituídos por cinismo em relação às grandes instituições e por uma grande sensação de impotência... Ao crescer, fui perdendo uma certa sensibilidade, era uma maneira de me proteger porque sentia que não podia fazer nada, não podia resolver todos os problemas do mundo. Mas também era uma desculpa.
Tinha este livro em casa há já alguns anos e decidi lê-lo, já que ainda não o tinha feito, por qualquer razão. Ainda bem que o fiz. O livro debruça-se sobre as condições de vida das mulheres e os problemas que lhes são particulares. Em cada capítulo conhecemos a experiência singular de uma mulher, representativa de tantas outras vozes afectadas pelo mesmo problema e que não se conseguem fazer ouvir.
Os temas tratados são sérios e a vivência de cada mulher é contada com respeito. Mas o que mais me tocou no livro foi o seu tom positivo, pois a par de cada problema representado pela experiência particular de uma mulher, são-nos dadas a conhecer histórias de pessoas dos mais variados backgrounds que dedicaram o seu tempo, o seu amor e o seu trabalho a melhorar a vida de dezenas ou centenas de pessoas em zonas hostis pelo mundo fora. Pessoas que combatem preconceitos, mentalidades, orçamentos praticamente inexistentes e muitos outros obstáculos para transportar o seu grãozinho de areia.
No entanto, ainda resta tanto por fazer quanto à condição das mulheres por esse mundo fora. Tanto, tanto! Nem a propósito, hoje vi Sufragettes: passados 100 anos, muita coisa mudou para as mulheres no Ocidente, mas não foi assim em todo o mundo. E depois de ler Half the Sky, fiquei com a sensação de que também posso fazer algo para mudar isso. Ainda que infinitamente pequenas, ainda que insignificantes nos assuntos do mundo, talvez as nossas acções possam mudar a vida de alguém que nem chegamos a conhecer.
Talvez eu não seja tão impermeável quanto pensava estar nem seja tão impotente quanto pensava ser. Who knows?

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