Faz por estes dias um ano que fui a Budapeste visitar uma amiga que lá estava em Erasmus. Preparou-me para o frio e para a chuva, disse-me para levar um casaco quente que afinal só serviu de peso morto. De noite, andava de vestido sem collants, não havia frio algum. "Trouxeste o bom tempo contigo!" dizia-me ela.
E com o sol chegou a Primavera: a cidade estava florida e via-se muita gente a passear, a fazer piqueniques ou a aproveitar os muitos mercados de rua, a dar uso aos óculos de sol.
Não tivemos sorte apenas com o tempo. No dia em que cheguei, a colega de casa da minha amiga ofereceu-nos dois bilhetes para um autocarro turístico do género hop on-hop off: estava a tomar café com um amigo quando uma turista lhos ofereceu, explicando que aqueles bilhetes seriam válidos ainda por um dia e meio, que se ia embora e não poderia gozá-los. Nós gozámos e aproveitámos para subir à Cidadela, a zona mais alta da parte Buda. Obrigada, cara senhora desconhecida, por contribuir para a nossa preguiça!
A arquitectura da cidade é impressionante, feita de mágicos detalhes: estátuas improváveis que não são apenas os habituais tributos a figuras ímpares, caixas de correio e candeeiros antigos, portas trabalhadas, grandes janelas, tectos de azulejos coloridos e o céu constantemente cortado pelas linhas do eléctrico como na nossa Lisboa. O hotel Four Seasons, mesmo em frente à Ponte das Correntes, é tão bonito que nenhuma fotografia consegue fazer-lhe justiça: embutidos nas paredes, ladrilhos aleatórios reflectem a luz do sol e cintilam.
A história da cidade é patente: a arquitectura contribui para isso. Algumas das estações de metro originais mantêm-se, assim como as carruagens (agora muito pequenas para o fluxo de pessoas), e certos prédios antigos mantiveram a sua fachada trabalhada, remodelando-se o interior. Esses são os traços de um tempo mais antigo em que a cidade pertencia ao império austro-húngaro. Vestígios da II Guerra Mundial e do comunismo também se vêem. Ainda bem que assim é: qualquer povo deve aceitar a sua história, mesmo que seja apenas para garantir que não se repete.
Entre tanta gente que vivia a cidade, o bom tempo e os bilhetes de autocarro oferecidos, encontrei uma Budapeste convidativa. Os preços também ajudam. É sempre um factor importante, não é? Se nos apetecer parar para comer um gelado ou lanchar, não temos de olhar para os preços e fazer contas a medo, podemos desfrutar.
Sabendo exactamente o tipo de pormenores que me encantam, a minha amiga levou-me à gelataria mais mignon lá do sítio, mesmo ao lado da Basílica de Santo Estevão. Há um lustre no tecto e servem o gelado moldado em pétalas. É preciso dizer mais alguma coisa?
Provei framboesa e lavanda e enquanto adorei o primeiro, não fiquei fã do segundo. Foi perfeccionismo, admito. Queria uma cor que combinasse satisfatoriamente com o vermelho, mas não sei o que me deu para escolher gelado com sabor a naftalina.
De manhã ao pôr do sol, aproveitámos para passear e andar imenso, conhecer monumentos imprescindíveis e também para comer. Ficaram por visitar muitos cafés e há toda uma lista de bolos que não consegui provar. Quero lá voltar para cumprir estes preceitos e para explorar as ruas com calma, aproveitar ainda mais a cidade.
A jovem Budapeste agraciou-nos com o sol, mas confesso que foi à noite que me encantei por ela.














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