05/06/16

Books, glorious books!

A maravilhosa Feira do Livro de Lisboa! No ano passado, por esta altura, estava em pânico a tentar fazer da minha tese de licenciatura uma coisa decente e portanto fui à Feira do Livro en passant: uma minúscula hora para cumprimentar um amigo cujos bonecos são um sucesso e desgraçar 25 euros! Para compensar, este ano fui duas vezes e acho que já lhe dediquei mais tempo que a dois dos trabalhos que tenho de entregar esta semana.


Em tempo de Feira ou não, a minha carteira nunca foi grande amiga de leituras. Para ser franca, a minha carteira não é amiga de nada, muito menos das minhas vontades. Ainda assim, comprei um mimo para a minha Mãe, fazendo a sovinice de aproveitar que o dia da Mãe e o seu aniversário são no mesmo mês para lhe dar um só presente, e um livro para uma bebé, filha de uns amigos. Ela não fala português e ainda é pequenina, mas espero que mais tarde se delicie com as ilustrações e com os óculos, a descobrir os opostos. Um livro é um bom presente que fica para sempre. Acredito mesmo nisso.

Fazem-se coisas tão bonitas no mundo do livro infantil que me dá vontade de comprar tudo, mas para mim! Se forem à Feira, espreitem os pavilhões da Kalandraka, da Edicare (fiquei vidrada com o já famoso Animalium e um lindo guia ilustrado de cidades de todo o mundo), da Orfeu Negro e da Bruáa. Se decidirem desgraçar-se financeiramente, mas enriquecer a vista e a alma, é por uma boa razão: apoiar estas editoras que fogem da bonecada da Disney e procuram ilustradores e histórias diferentes, com arte. Por favor, não pensem que tenho algo contra a Disney: as suas personagens foram para mim fiéis amigos de infância.

Recebi um lindo presente daquele que é a melhor companhia do mundo, aquele livro que eu queria mesmo, mesmo, mesmo: Uma História da Curiosidade, de Alberto Manguel. A leitura ainda está em standby, não quero apressar-me. Quero saborear cada capítulo e não tenho tido tempo para lhe dedicar a atenção que merece.


Sabemos que a nossa vida é doce quando um professor combina dar uma aula na Feira do Livro. Curso certo? Check!
Cruzámo-nos com o Zeferino Coelho, editor de Saramago e seu amigo, calculo. Estava ocupado, claro, mas dispensou-nos uns minutos e outras tantas palavras, graciosamente. Que bom seria poder aprender com alguém com esta experiência e ouvir as infinitas histórias que deve ter para contar!


Para além de me divertir e namorar todos os livros que não consegui trazer, o que mais fiz na Feira foi comer. Comi como se não houvesse amanhã: um dia, foi um cachorro, noutro foi um gelado Ben & Jerry's, pastel de massa tenra e ainda uma tripa de Nutella. Para além de se referir ao intestino do bicho, tripa também é um doce, uma espécie de crepe mas um pouco menos fino; está algures entre o crepe e a panqueca, é besuntado com o que se escolher e dobrado como um envelope. Uma delícia!

Para além de lindos livros e comida, há sempre promoções óptimas na Hora H (de Segunda a Quintas, das 22h às 23h), os Livros do Dia e autores presentes para lançar e/ou assinar as suas obras: só pretextos para ir à Feira!

Mesmo que me irritem alguns dos escritores mais famosos deste nosso Portugal e aos quais não reconheço muita qualidade, fico contente que as pessoas ainda queiram ler qualquer coisa. Fiquei genuinamente feliz quando fui à Feira no dia de abertura e vi tanta gente a ver livros e a comprá-los. Fiquei feliz quando vi grupos de amigos, pouco mais novos que eu, com sacos de livros: eu e uma amiga comentámos "O que será que levam ali? Será que é bom?", mas depois deixámo-nos de purismos literários e ficámos satisfeitas por ver que a juventude ainda lê sem ser obrigada. Fiquei feliz quando vi crianças pedir livros aos pais. Afinal, a humanidade ainda não está irremediavelmente perdida.

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