15/06/16

[Braga] Surpresas no Bom Jesus

Gosto de viajar de comboio. Para além de não termos o banco da frente colado ao nariz, não temos de chegar à estação com duas horas de antecedência. Acrescente-se a este conforto as paisagens pela janela. Que bonitas e pitorescas são as estações de comboio do Norte, com os seus painéis de azulejos brancos e azuis, tão portugueses. Acho que sustive a respiração quando vi o Porto, o Douro, que conheço tão mal. E foi entre leituras, música e paisagens bonitas que passei a viagem até Braga, desde Santa Apolónia.

Não tinha grandes planos, mas queria passear pelo centro de Braga. Sabendo que poderia fazê-lo no dia seguinte, deixei-me guiar por quem conhece a cidade e fomos até ao Santuário do Bom Jesus do Monte.



Confesso que não tinha muitas expectativas. Achava que seria apenas um santuário numa colina e como não sou católica, a igreja teria pouco significado, mas não foi bem assim. O encantamento começou assim que começámos a subir a montanha: o ar ficou mais fresco, ficámos rodeados de verde, muito verde, e de solares. Ainda mal tínhamos chegado e já eu queria fazer o percurso de novo, mas a pé, para poder ver tudo com atenção, aproveitar aquele ar frio na cara, ver e fotografar os detalhes daquelas casas apalaçadas, tão próprias do Norte.



Entre um calor abrasador e aquele frio de montanha que pede mais um casaco, perdemos noção do tempo. Fiquei tão surpreendida com todo aquele verde, os infinitos pormenores e a vista da cidade que só mais tarde me apercebi de que nem sequer cheguei a entrar no próprio do Santuário. Bastou-me a sua envolvência: recordei-me da Mata do Buçaco, de Sintra e da Quinta Patiño, um paraíso na terra, uma casa de bonecas à escala real, um lugar especial da minha infância.



O que dizer da escadaria? A simetria satisfez perfeitamente o meu ligeiro distúrbio obsessivo-compulsivo, assim como as árvores perfeitamente podadas e o tom limpo e arranjado de todas estas obras de arte. Comecei a descer as escadas, para descobrir todas as qualidades de um bom cristão ilustradas pelas estátuas, mas quando me lembrei de que teria de voltar a subi-las, voltei rapidamente para trás. E sabia que tinha uma surpresa à minha espera.




"Tenho uma surpresa para ti, mas não sei se vais querer..."
O rapaz disse-me isto em frente a uma gruta e a minha claustrofobia gritou. Mas afinal era coincidência e a surpresa era bem mais bonita e idílica: um passeio de barco-a-remos no lago. Aceitei logo! Só fiquei com medo de remar. Não conduzo e não tenho qualquer força de braços: já nos estava a imaginar ensopados.




Ele remou e safou-se muito bem! Fez as curvas na perfeição, chocámos contra alguns barquinhos sem grande estrondo e conseguiu evitar outros embates com muita perícia. Só fez questão de molhar o único casaco que eu levava para dois dias de viagem, mas tirando isso, podia fazer disto profissão. E é bastante em conta, assim como o funicular que une a base da escadaria ao Santuário.

O Bom Jesus é maravilhoso, mais do que uma igreja ali plantada: como Sintra ou a Mata do Buçaco, tem uma aura um tanto ou quanto mágica, misteriosa, que um céu nublado só acentua. É igualmente bonito com sol ou num dia de nuvens: qualquer luz acenta bem a estes paraísos verdes.

(Que tom de cor-de-rosa mais bonito!)





Plantas selvagens ou perfeitamente cuidadas, em canteiros ou em muros; num post já carregado de fotografias, deixo-vos registos destes pormenores que me chamam à atenção.

1 comentários:

JSabino disse...

Excelente