Um dia que compensou semanas de ausência.
Da Guia a Sintra, são 15 minutos. Demorámos duas horas e meia. Vagueámos pela Cresmina, pelo Guincho, pela Aldeia de Juso, pelo Cabo da Roca, por Colares.
Ele chegou e trouxe consigo a Primavera. E trouxe-me um sol muito próprio, muito seu, feito de beijos e infinita paciência.
Escolhemos os trilhos mais longos e ziguezagueantes, os mais bonitos. De janelas abertas, o ar frio do Guincho e de Colares batia-nos na cara, amenizando os raios quentes deste sol ainda traiçoeiro.
As beiras destes recônditos caminhos são fartas em flores silvestres: a Primavera operou uma erupção de cardos, margaridas, papoilas. Oh, tantas papoilas! Que prazer me dá encontrar uma mancha vermelha, orgulhosa e solitária, na doce profusão de amarelo, branco e lilás. Algumas são mais coral que vermelho e ainda não me decidi se parecem fluorescentes ou apenas deslavadas.
É curioso (mas apenas natural) como a vegetação muda à medida que nos aproximamos do mar: é menos delicada e melhor preparada para a humidade salgada e agreste.
Nas cores onde há meses havia apenas verde ou ramos despidos, dou-me conta da passagem cíclica da natureza e sossego: nada é permanente.
Apesar do pânico que me assomou porque andei a procrastinar demasiado, a nova estação está a ser gentil connosco. Quanto às próximas semanas, vou ouvir esta música com cheiro a Primavera, concentrar-me e quando o stress estiver em alta, vou lembrar-me do meu mantra: Somehow, shit always gets done.




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