Começar a viver sozinha no final do semestre? Help!
Por razões profissionais, a minha mãe foi para Sul e aqui a cria está a sobreviver. "E a casa?" Nem por isso.
Não consigo fazer malabarismo com as refeições, os trabalhos da faculdade, a casa e a minha sanidade mental. As prioridades são não ensandecer, não passar fome e cumprir todas as cadeiras com distinção, como exige a Hermione que há em mim.
Arranjei um calendário onde posso ver todas as manhãs e tardes livres para adiantar os trabalhos, porque já entrei na fase do pânico. Pensar-se-ia que, ao fim de quatro anos de vida universitária, já tivesse aprendido a não deixar tudo para o final, mas não é o caso. Parece que, em Maio e Junho, ter vida privada não é prioritário. À Segunda-feira faço uma lista de objectivos para a semana que começa: escusado será dizer que há sempre algo que passa para a lista da semana seguinte.
Faço compras uma vez por semana e sou bastante organizada na alimentação: descongelo o almoço com antecedência, faço sopa e congelo-a em porções, em tupperwares etiquetados. (O orgulho que sinto ao divulgar esta informação é preocupante.) Hoje fui ao supermercado porque estava sem comida, que é como quem diz "Acabei com o chocolate e as bolachas há dois dias".
Em casa, o cenário é o seguinte: alguém aplicou um feitiço de multiplicação à louça usada. Lavo tudo e meia hora depois, já está qualquer coisinha irritante na bancada, para a próxima leva. Tenho de me lembrar de levar o lixo e verificar o correio, actividade morosa porque, ao regressar a casa, fico meia hora sentada à beira da cama a fazer as palavras cruzadas do "Dica da Semana" e não contente com isso, ainda faço os sudokus. E o cotão? Cotão everywhere! Acrescente-se a isto obras no prédio e já nem me atrevo a andar descalça.
É toda uma vida de sopeirice. Sou sopeira e estudante em fim de semestre, funções assoberbantes às quais acrescento a de plantsitter. A minha mãe deixou-me encarregue das suas plantas, porque com duas malas, uma mochila e a sua carteira, achou que levar um cacto na mão durante toda a viagem de comboio era capaz de ser chato. Mas esse é fácil: cuida-se sozinho, como os gatos.
O pior é a flor de Natal: ora tenho de me lembrar de regar a flor de Natal, ora tenho de verificar as folhas, ora ponho a flor na varanda para que faça a fotossíntese, ora volto a pôr a flor no lugar. Aponto no tal calendário os dias em que reguei a planta e a pus ao sol, mas não me julguem, a responsabilidade é grande. Depois de um período em que esteve meio morta, ressurgiu em todo o seu esplendor escarlate. Não pode morrer sob a minha alçada. Antes de ir, a minha mãe disse-me: "Tens de falar com ela." Como?...
E com tudo isto, ando feliz e contente. Gosto de ver o frigorífico cheio quando volto do supermercado, gosto de saber que tenho stock de chocolate e bolachas para os três dias seguintes. Vou à mercearia comprar maçãs verdes e entregar os frascos vazios do mel, que são devolvidos ao produtor e reutilizados. Ligo à minha mãe só para lhe contar da excelente promoção de Ritter Sport (chocolate branco com avelãs, o meu preferido) e outra da Garnier: comprei 4 produtos por 6 euros! Ah, as pequenas vitórias do quotidiano!
Mas quanto a ensandecer, não é de excluir. Deito-me e não adormeço, fico a pensar no tanto que tenho para fazer. No outro dia, apercebi-me de que tinha comigo livros da biblioteca que devia ter entregue uma semana antes. Marco coisas com as pessoas, não me lembro de aparecer nem de desmarcar. Até falo sozinha. Não é mau, agora que penso nisso: pode ser que a planta ouça.
Mas quanto a ensandecer, não é de excluir. Deito-me e não adormeço, fico a pensar no tanto que tenho para fazer. No outro dia, apercebi-me de que tinha comigo livros da biblioteca que devia ter entregue uma semana antes. Marco coisas com as pessoas, não me lembro de aparecer nem de desmarcar. Até falo sozinha. Não é mau, agora que penso nisso: pode ser que a planta ouça.

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