08/09/16

[Braga] O charme das cidades pequenas

Qualquer dia, este blog passa a chamar-se "Pelos caminhos de Portugal". Já se passou um mês desde este fim de semana no Norte, cujo auge já partilhei. Andámos de moliceiro e enchemo-nos de ovos moles em Aveiro, passeámos em Braga e reencontrei uma amiga em Guimarães. Em três dias, encaixámos muitos momentos que nos fizeram sorrir.



(Haverá melhor combinação que azul e cor-de-rosa?)

Não estivemos muito tempo em Braga, mas esta manhã foi suficiente para encontrar a luz (e o calor!) de Verão no seu apogeu. Não é a minha estação preferida e estou a contar os dias para que o Outono chegue, mas de máquina fotográfica na mão, vou-me distraindo do calor. O Verão pega nos inícios da Primavera e eleva-os, é luminoso e exuberante. Descubro novos pormenores a uma luz cheia, quente, luz de meio-dia mesmo às quatro da tarde.


Gosto de cidades nas quais as fachadas revelam a sua história, nas quais consigo imaginar um outro tempo e romancear as vidas daqueles que, há décadas atrás, olhavam pelas janelas que gosto de fotografar. Paro por detalhes que acho bonitos, mas não os sei interpretar, não sei precisar a época em que foram pensados, a sua utilidade ou razão de existir.



Sinal claro de que gosto de uma cidade é imaginar-me a viver nela. Em 2012, podia ver-me a comer fruta fresca para o pequeno-almoço todos os Sábados em La Boquería. Em 2013, rendi-me quando cheguei a Florença; via-me a comprar comida nas mercearias tradicionais, a passear pela Ponte Vecchio de gelado na mão. Em 2014, imaginei-me de casaco quente, cachecol e um gorro engraçado a caminho de um café acolhedor, pronta para um encontro com um livro e um cappuccino. (Não me passou ao lado o facto de cada um destes devaneios estar povoado com comida.)



Barcelona, Florença, Utrecht. Totalmente diferentes e gradualmente menores. Não me imagino exactamente a viver em Braga (é demasiado a Norte para quem tem toda a sua gente no Sul), mas gosto da ideia de viver numa cidade mais pequena, uma que tenha mercearias, cafés, livrarias, correios, banco, mercado, lojinhas e transportes à mão de semear.


Gosto de me cruzar com gente desconhecida no seu dia-a-dia, de ouvir frases soltas e adivinhar sobre o que tratam, de observar as pessoas com quem me cruzo. Sou curiosa (ou bisbilhoteira) e nisso, as cidades pequenas satisfazem-me.

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