01/11/16

[Florença] A love affair

Firenze. Florence. Florença. Até o nome é bonito.
Não consigo explicar o amor, o encanto, as saudades que sinto por esta cidade. Ainda me ocupa os sonhos, ainda me perco mentalmente naquelas ruas e praças deslumbrantes. Ficou-me com a alma e devolveu-ma cheia.


É um sonho pintado de mil tons de ocre e terracota. É povoada pelos artistas, cientistas, filósofos e maquiavélicos aristocratas que a moldaram: podemos senti-los por cima do ombro, como se a qualquer momento nos cruzássemos na rua. É maravilhosa durante o dia, durante o pôr-do-sol, durante a noite. Mas apaixonei-me pela manhã de Florença, quieta e silenciosa, espaçosa e adormecida, na qual me perdi para me encontrar.

Persegui bolas de sabão, comi panini com rosbife e presunto acabado de fatiar, jurei que havia de comprar com o meu dinheiro um camafeu na Ponte Vecchio, senti-me assoberbada e humilde perante a arte e o génio, desejei ter trinta pares de olhos e todo o tempo do mundo, senti pela primeira vez o poder perturbador da escultura na Loggia dei Lanzi, apercebi-me de que nunca ando sozinha e de que a memória é uma forma eficaz de teletransporte.


Há exactamente três anos estava em Florença, de queixo caído a cada esquina. Primeira vez a viver fora de casa e logo num país diferente: era autónoma e um pouco mais adulta, a espreitar o mundo em bicos de pés.
Há exactamente três anos estava em Florença. E todos os dias prometo voltar.

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